Sines estava no plano da viagem como um ponto de paragem, mas não o foi exactamente da forma prevista, mas é outro marco nesta viagem.

É comum entre os ciclistas (independente do tipo de bicicleta – btt ou estrada) um cumprimento fortuito. Já aderi a esta prática por mais desgastado que vá porque é um tipo de alento entre pares.

Já perto de Sines (talvez a uns 20Km), um ciclista (de estrada) aproximou-se e foi além do cumprimento fortuito.
Conversámos, trocámos histórias, experiência, partilhámos a estrada num ritmo sincronizado.

Cheirava a Alentejo (região pela qual sou apaixonado) e este tipo de abordagem é característica dos povos desta região.
São Pedro presenteou-nos com uns quilómetros debaixo de chuva forte, mas nada que nos retirasse à estrada e já à entrada de Sines, o agora meu companheiro de estrada desafiou-me a conhecer Sines, ainda que debaixo de chuva.

Segui, sempre que possível, colado à sua roda. Ele era o anfitrião e pela sua segurança, denotava conhecer bem a região.
Pus-me a par e pedi-lhe que me recomendasse um bom restaurante onde pudesse almoçar e descansar até que as condições atmosféricas melhorassem e ele assim fez: “vai almoçar a minha casa. Não sou grande cozinheiro mas vou preparar um bacalhau. Não se assuste com a desarrumação que tenho andado ocupado.”

Foi dos maiores prazeres de toda a viagem e não pode haver melhor restaurante em Sines do que a casa do Luís.
Um tipo de 60 anos bestial, com uma energia invejável. Um pintor de mão cheia com retratos incríveis (João Paulo II, Fernando Pessoa, Amália, ilustres desconhecidos). Queria trazer um comigo, mas como?! Trouxe um, único. Esta experiência.

O menu foi o planeado: bacalhau, legumes e uma reserva de vinho alentejano. A melhor da adega.
Comungámos. Senti-me de casa, como sempre me senti no Alentejo.

Recebi indicações do caminho, até onde ir e como dividir os quilómetros até ao objectivo.
Reajustámos o objectivo final: Lagos ao invés de Sagres. O possível dentro da limitação imposta pelo relógio/calendário.

Parti, mas com uma referência para voltar.
Voltarei(!?)