Marina de Lagos

Marina de Lagos

Lagos não era “O” objectivo embora fosse destino obrigatório para apanhar o comboio de regresso, mas o incrível destas viagens é que usufruímos mesmo da liberdade de fazer do destino aquele que quisermos. E ainda bem que assim é.

O atraso que me levou a ficar em Setúbal proporcionou-me recuperar o contacto com amizades do tempo de universitário (outra vida :p). Não foi em Setúbal que revi a minha amiga Mónica (Andreia foi dos raros nomes que lhe chamei, embora seja o seu), mas em Lagos havia a hipótese de rever a Susana ou Susanita pela sua fisionomia, franzina, que ainda hoje é a sua, mesmo grávida de cinco meses.

É engraçado como aquilo que parecem acontecimentos/situações profundamente aleatórias acabam por ganhar sentido.

Quando cheguei a Vila Nova de Mil Fontes estava decidido a ir directo a Lagos.
Planeei sair às 6h para completar os 92Km que faltavam durante a manhã, chegando a Lagos cedo o suficiente para ter opções de transporte: os comboios a partir de Lagos não são tão frequentes como na Linha do Norte.

À hora planeada São Pedro descarregou a sua fúria e acabei por só sair às 7h.
E como combinado no dia anterior lá estava o pequeno-almoço pendurado na bicicleta: duas sandes, maçã e laranja e um sumo de fruta. Excelente!

A viagem foi sempre pela estrada nacional com períodos de chuva intensa e vento. Só nos últimos 30Km é que o clima melhorou.

Às 12h estava em Lagos, tendo ido directo à estação de caminhos de ferro para garantir a viagem de regresso.
Mais uma vez a bicicleta foi um problema: afinal o transporte da bicicleta montada é apenas permitida no serviço Intercidades das linhas do Norte e Beira Alta.

A hora seguinte (o comboio partiria às 13h10) foi de correria por uma caixa de cartão para embalar a bicicleta. Talvez esta tenha sido a primeira corrida do João Pedro ainda que no ventre da mãe: a Susanita juntou-se a mim nesta cruzada pelos supermercados da zona.

Nada feito.
Às 13h estava novamente na estação para alterar a hora da viagem por não ter conseguido forma de transportar a bicicleta.
Ao fim de tantas chamadas de atenção e explicações adicionais e suplementares sobre o transporte de bicicletas (“todos os anos é a mesma coisa”) acabei por viajar com ela montada, tendo que convencer cada revisor que os 834.46Km feitos mereciam alguma complacência.

Assim foi: Lagos – Tunes a bicicleta viajou nos cabides, Tunes – Lisboa Oriente no início da composição e no trajecto Lisboa Oriente – Porto Campanhã (Linha do Norte), novamente nos cabides (quase) como regulamentado (os lugares 15 e 17 estava ocupados com passageiros que não transportavam bicicletas).

No intercidades Tunes – Lisboa Oriente conheci o Rafael e o César: dois companheiros ciclistas que fizeram Chave – Faro pela EN2 (estrada nacional 2).
Acho que está decidida uma das próximas travessias 😉

De regresso, apetece-me mais “estrada”.

Resumo da jornada

  • Distância: 92,94Km
  • Velocidade média: 21,0Km/h