Gosto quando posso “juntar o útil ao agradável” e sendo que tinha como compromisso ir a Miranda do Douro, aproveitei para o fazer de bicicleta pela antiga Linha do Sabor.
E aqui há uma pormenor novo: ao contrário das travessias e viagens relatada até aqui, a Berg Trailrock HD ficou em casa e fiz-me acompanhar da Scott Scale 960. A nova aquisição que estreei em longas distância entre Coimbra e o Porto pelo Caminho de Santiago.

Voltando ao desafio: no Sábado PocinhoDua Igrejas (Miranda do Douro) e regresso no Domingo (Duas Igrejas – Pocinho).
Durante a semana preparei uma rota para o GPS só para o caso da marcação da antiga Linha Férrea que sabia abandonada não ser suficiente, o que não previa era enganar-me no ponto de partida 😉

Saída do Porto

Saída do Porto

No Sábado às 6h31 com a logística completa, arranquei em direção ao… Pinhão. Ups!
De tão focado que estava na linha férrea acho que só conseguia pensar no Pinhão, onde já havia estado, dessa vez de carro.

Só me apercebi do engano, já em cima da bicicleta quando tentava encontrar o início da rota no GPS. Plano de recurso, voltar a pôr a bicicleta no carro e tentar minimizar o atraso, partindo doutro ponto. A escolha foi Torre de Moncorvo. Havia a possibilidade de ir para o Pocinho, no entanto já tinha anteriormente percorrido essa parte da linha férrea e na preparação da rota tinha lido que o percurso Torre de MoncorvoCarviçais era bastante rolante o que me ajudaria a minimizar o atraso.

Portanto, 1h50 depois estava em Torre de Moncorvo, pronto para iniciar a epopeia.

Torre de Moncorvo

Torre de Moncorvo

Ecopista Torre de Moncorvo

Ecopista Torre de Moncorvo

Há pormenores muito interessantes sobre a Linha do Sabor, um deles é que é (foi) a linha com maior inclinação em Portugal o que obrigava o comboio a paragens para recuperar pressão antes de progredir. Um facto mais recente é que o troço Torre de MoncorvoCarviçais, o primeiro a ser inaugurado em 1911 (na verdade desde o Pocinho), é também o único que foi requalificado pelas autarquias, transformando-o em ecopista, com barreiras de proteção e iluminação elétrica, tendo ficado de fora a recuperação dos edifícios das antiga estações, os quais, salvo raras exceções (como a de Lagoaça),estão miseravelmente abandonados.

Antiga estação de Carvalhal

Antiga estação de Carvalhal

Ponto de reabastecimento de água

Ponto de reabastecimento de água

Efetivamente rolante, o percurso Torre de MoncorvoCarviçais proporciona sem qualquer dúvida um extraordinário passei de fim-de-semana na Natureza, com uma extensão de 25Km e onde se podem observar as famosas amendoeiras em flôr.
Particularmente para quem vai de bicicleta e nas zonas onde a flora é mais densa, é necessário um cuidado redobrado para a possível existência de veículos automóveis a circular na ecopista. Porque algumas das barreiras de acesso foram derrubadas tive um encontro indesejado com uma carrinha que por pouco não resultou em algo menos simpático.

Amendoeiras em flôr

Amendoeiras em flôr

Chegando a Carviçais e para quem vai de bicicleta o traçado da ecopista começa a ser “desagradável” na medida em que as barreiras colocadas nos cruzamentos não permitem a transposição montado. No entanto depois da antiga estação de Carviçais, pouco mais há para percorrer e foi então que cheguei à infeliz conclusão que o desafio estaria condicionado.

Estação Ferroviária de Carviçais

Estação Ferroviária de Carviçais

Troço da Ecopista depois de Carviçais

Troço da Ecopista depois de Carviçais

Embora a progressão fosse complicada, ainda percorri sensivelmente mais 5Km pelo traçado da antiga linha férrea, mas com grande dificuldade devido aos arbustos caídos, densidade do mato e detritos. Dado o meu compromisso de chegar “a tempo e horas” a Miranda do Douro, optei por continuar pela estrada nacional.

Vista do Parque Internacional do Douro Internacional

Vista do Parque Internacional do Douro Internacional

Lembro-me de, numa das pausas para descansar e comer, comparar a vista com aquela que tive na travessia do Sahara: embora a fauna e flora sejam completamente diferentes, a tranquilidade que se sente é muito semelhante e este contacto com a natureza é privilegiado.

Em termos de viagem, o resto do percurso pela estrada nacional foi quase todo ele paralelo ao IC5 passando por Castelo Branco, Mogadouro, Santiago, Sendim, Palaçoulo, Águas Vivas e São Pedro da Silva (que era o meu destino).

Naturalmente que “descanso precisa-se” até porque no dia seguinte, Domingo, tinha que fazer o caminho de regresso a Torre de Moncorvo, onde tinha deixado o carro, mas nada que a gastronomia e um ambiente familiar não proporcionassem.

Para quem não conhece a região, fica a sugestão para que não se restrinjam à famosa Posta Mirandesa: igualmente bom é, por exemplo, o butelo ou Chouriço de Ossos.